sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Crítica: A Melhor Oferta (La Migliore Offerta) - 2013


A crítica de hoje é sobre um filme de drama, diferente dos já "criticados" aqui. Hoje temos A Melhor Oferta.

Do diretor Giuseppe Tornatore (diretor de Cinema Paradiso), vencedor do Oscar, A Meljor Oferta conta a história de um avaliador de arte que é chamado por um mulher para avaliar várias partes da sua casa. Chegando lá, ele se depara com um mistério, que mudará sua vida.

Lendo-se brevemente, a sinopse não parece tão interessante. Para me animar ao ver esse filme, além da presença de Geoffrey Rush, tive que ver o trailer, que é espetacular. Como nunca tinha visto um filme do diretor, fiquei encantado com os movimentos das câmeras, principalmente na cena final, que é realmente espetacular!

Geoffrey Rush interpreta o personagem principal, Mr. Virgil Oldman, um avaliador com ótimas habilidades de percepção em arte, que demonstra realmente grande habilidade no papel que exerce, tendo uma história bem interessante de como entrou no ramo. Geoffrey Rush está em uma interpretação digna de Oscar, incorporando corpo e alma o personagem, que é super bem desenvolvido e, evolui no decorrer do filme. Para conseguir sua coleção, o personagem, que trabalha também como leiloeiro, usa um truque muito interessante: seu amigo Billy Whistler (interpretado por Donald Sutherland) compra as peças e, depois revende para ele. O personagem Billy é um coadjuvante que demonstra uma grande amizade com o protagonista. Uma amizade que é bonita de se ver, e, mesmo com alguns desentendimentos, é realmente verdadeira. A garota misteriosa que muda a vida do protagonista, Claire é muito bem interpretada por Sylvia Hoeks, que é realmente uma boa atriz. A graça do personagem é sua doença, que não a permite ficar em público. Doença que tem um motivo bem estranho, desnecessário. No decorrer do filme, percebi que essa doença só poderia ser curada por obrigação, não por estímulo. A personagem é misteriosa, mas mesmo assim, nos simpatizamos com ela. Na verdade, não posso falar muito dela, se não vai acabar com a graça do filme. Temos também o personagem Robert (Jim Sturgess), um "engenheiro" que dito pelo próprio protagonista, "pode fazer tudo". Robert serve como o confessionário do protagonista, que conta sua vida pessoal enquanto Robert o ajuda, construindo um antigo androide com peças que o protagonista traz da casa de Claire. Daí então, nasce a maior metáfora do filme, já que Robert sempre ajuda Oldman comparando a vida com as engrenagens, o que faz o protagonista abrir sua mente. Robert é um personagem não muito bem desenvolvido, mas é interessante, já que se não fosse por ele, nada da relação entre Claire e Oldman aconteceria. 

Tratando de arte, o filme nos mostra cenários espetaculares, com obras de arte incríveis, assim como uma linda fotografia. A maioria das obras de artes são mostradas na casa de Claire, onde o nosso protagonista passa por vários dramas, que nos deixam com bastante pena dele, até chegar a conclusão.


Sem dúvidas, o mais espetacular do filme é o final. Que final! Um dos melhores finais que já vi, sem dúvidas. Ao decorrer do filme, você até suspeita que algo assim possa acontecer. Mas, não nessa proporção! Realmente amargo e, triste, o final nos deixa pensando até muito tempo depois, já que ele não é totalmente explicado. Vemos o final apenas de um olhar, o olhar de Oldman, que realmente não sabe o que aconteceu. Então, ficamos apreensivos com o personagem, que tenta desvendar os acontecimentos. Nossos pensamentos voam em "não, não pode ser" ou "não, não é possível". Mas, no final, é o que temíamos. A pena e a compaixão são os sentimentos que temos. Veja esse filme e, me diga se não ficou pensando no final pelo menos nos 30 minutos após o filme. Me diga se não ficou pensando em: "Há sempre algo autêntico em cada falsificação".

Essa obra prima de Giuseppe Tornatore é um filme que merecia várias indicações ao Oscar. Uma metáfora entre a arte e a vida, entre amor e falsidade, de onde saem pensamentos tão fantásticos sobre honra e sentimentos verdadeiros. 

Nota: 9.3


Tabela de Informações
Data de estreia: 1 de janeiro de 2013 (Itália)
Duração: 131 min
Direção: Giuseppe Tornatore
Produção:Isabella Cocuzza, Arturo Paglia
Roteiro: Giuseppe Tornatore
Companias de Produção: Warner Bros., Paco Cinematografica

 

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